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Vereadores de situação e oposição voltam a divergir sobre mudança da Secretaria de Saúde

A mudança de endereço para um único endereço da Secretaria de Saúde e da Farmácia Municipal em Concórdia, foi novamente motivo de debate na última sessão Ordinária da Câmara de Vereadores, na manhã desta quinta-feira, 5. A discussão passou pela importância de se construir imóveis próprios, o valor da venda da antiga sede e a polêmica criada nas redes sociais com o valor dos alugueis, que acabou por “puxar” outros assuntos para o debate.

Mauro Fretta (PSB) comentou sobre os valores da venda do imóvel da Secretária de Saúde, que na época, em 2015 foi vendido por R$ 1,9 milhão para o Hospital São Francisco. “Foi feita a venda do terreno, foi aplicado o dinheiro e não se tinha o planejamento e o valor necessário para a construção da nova sede, foi irresponsável, porque bem ou mal não havia o pagamento do aluguel”, disse ao comentar que a “farra dos alugueis começou ainda no governo anterior e no caso da Saúde, teve a autorização da Câmara para época para a venda”.

Fretta também lamentou a “espetacularização” pela sua consideração sobre o assunto na tribuna ontem. Para ele, mesmo sendo vereador da base governista, “considera que tem o direito de divergir das demais e é para isso que a democracia é feita”.

Closmar Zagonel (MDB) disse que, realmente, “a situação dos alugueis começou lá atrás e continua”. Para ele, a venda do imóvel só poderia ter sido feita quando o edital de licitação para a construção da sede própria tivesse sido lançado. “Do jeito que foi feito foi uma vergonha”, comentou.

O líder da bancada do PT, André Rizelo, discordou das considerações de Fretta. Disse que em 2016, o juro mensal do valor depositado era de R$ 18.650,00 e o aluguel pouco mais de R$ 13 mil, o que então daria para pagar o aluguel e o condomínio e sobraria dinheiro. O vereador comentou também que não estaria claro quanto que se pagaria pela nova área alugada.

Claiton Casagrande (PR), também lamentou o uso do termo “farra dos alugueis”. Para ele existem diversos questionamentos sobre a venda do imóvel, antes de se construir a nova sede. “Fica difícil para a população assimilar a venda sem um outro construído”, ressaltou que o atual local também não é adequado para atender a comunidade e a mudança vai permitir o agrupamento de diversos serviços no mesmo lugar, gerando maior comodidade para a população.

Sobre a estrutura do Senai, Casagrande enfatizou que o local ficou fechado por 18 meses na administração do governo do PT e agora há 16 meses na atual gestão. Ele informou que em breve será realizado o uso do espaço por secretarias do governo.

“Continuar passando vergonha sempre para atender bem a população”
O líder do governo, Fabiano Caitano (PSDB), tranquilizou Fretta sobre a opinião discordante sobre a mudança do local. Ele explicou que é possível mudar as faixas de pedestre e organizar o transito no local, ao justificar um dos motivos para a mudança. “nós vamos conseguir centralizar todo o serviço, além disso,  o local fica mais perto das clínicas, laboratórios e exames, além de entender a importância de se entender a questão da acessibilidade do local”, comentou.
Caitano disse ainda que “não é vergonha o dinheiro render no banco”. Ressaltou que a Secretaria de Saúde, a Farmácia Municipal e o Centro de Abastecimento Farmacêutico, no mesmo lugar irão custar R$ 18,5 mil aos cofres públicos, enquanto que agora, separados custam R$ 21 mil. “Se é vergonha fazer economia, passe essa vergonha sempre Secretário”, afirmou ao referir-se ao gestor da Saúde, Sidinei Schmidt que assistia a sessão no Plenário da Câmara.
Para ele, “vergonhosa é a posição do vereador Edno, que fazia parte do governo antigo, como superintendente da Fundema e não se manifestou contrário à venda do imóvel e que agora nas redes sociais crítica o valor dos alugueis pagos”.
Edno Gonçalves (PDT) rebateu o comentário de Caitano. Disse que a internet é uma ferramenta importante para divulgar o trabalho. “Tenho orgulho de dizer que fiz parte do governo Girardi, mas não é porque se faz parte se concorda com tudo. Mas não tínhamos nenhuma cadeira aqui nesta Casa quando foi votado o projeto. Além disso, gostaria de saber se todos os vereadores da base também concordaram com a compra do carro do prefeito”, disse ao comentar ainda que a Fundema também pagava aluguel na época e que, ele enquanto gestor havia pedido providências para uma construção de sede própria.

“Passos para a construção de um imóvel”
Evandro Pegoraro (PT) tentou amenizar a discussão no sentido que “foi dado um passo para sair do aluguel com a venda do imóvel, mas é preciso continuar a caminhada, apesar de reconhecer que não é de uma hora para outra que se consegue construir um prédio com um volume de recursos em que se precisa mais de R$ 10 milhões”. Ele também comentou sobre o pedido de informação sobre o pagamento de aluguel do espaço utilizado pela Fepese na Rodoviária Municipal.
Anderson Guzzatto, líder da bancada do PR, comentou que todos que dependem do aluguel trabalham para ir para o espaço próprio. No entanto, nesta situação foi ao contrário, segundo Guzzatto ao citar uma reportagem com declarações do ex-secretário de Saúde, que disse que a venda do imóvel era para construir a sede própria.
“Faltou planejamento da antiga administração. Agora quero ver a gente voltar lá e comprar lá o mesmo espaço com o valor pago na época e com o juro. Senão tivesse sido vendido, bem ou mal era um aluguel a menos pra pagar. Hoje não se tem nem garagem para os carros da saúde, e eles ficam no Estádio e na rodoviária municipal”, destacou ao defender a mudança do local por ficar mais perto dos consultórios, do hospital.
Para ele, não é “farra”, mas um trabalho constante para reduzir custos, renegociar contratos e melhorar o atendimento para a comunidade. “Além desta mudança, a sede do Senai também irá abrigar uma secretaria. Outra mudança será na Assistência Social, com uma redução no custo de R$ 4 mil por mês no aluguel”, ressaltou Guzzatto.

“Decisão foi contestada”
O presidente da Câmara de Vereadores, Artêmio Ortigara (PR), falou em nome dos legisladores que acabaram por aprovar o projeto da venda do imóvel da Saúde. “Apesar da votação, eu e o então vereador Massocco fizemos duras críticas a maneira como estava sendo conduzido o processo”, recordou e sugeriu que os vereadores que se manifestaram como “farra dos alugueis”, deveriam pedir desculpas para a sociedade por levar informações inverídicas para a sociedade.
Ortigara também comentou “que se para fazer gestão primeiro deveria ter sido construído e depois vendido, porque agora não é possível recomprar pelo mesmo valor”. Ele também citou que em ano eleitoral, o contrato de recolhimento de lixo (agosto de 2016) teve um reajuste de 31%. “Agora estamos renegociando os contratos e reduzindo os custos”, afirmou.
Sobre a compra do carro, Ortigara lembrou que em 2009 o governo do PT comprou um carro modelo Captiva para o gabinete do prefeito no valor de R$ 109 mil e um veículo Línea para o gabinete do vice, no valor de R$ 60 mil. “Hoje os valores atualizados a Captiva custaria R$ 190 mil e o Linea 100 mil. A população sabe o que aconteceu com estes carros em 6 anos? O Línea foi vendido com bem inservível e o custo para consertar a Captiva era maior do que o valor de mercado. Quem de nós compra um carro novo e em 6 anos vende pro ferro velho? Isto é fazer gestão pública?”, disparou ao divulgar as informações.
Como presidente da Câmara, reforçou para os vereadores que eles tenham responsabilidade ao divulgar informações para a sociedade de forma verdadeira e transparente.
 

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