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Debate acirrado fala em democracia, corrupção e respeito as instituições

Uma moção proposta por um grupo de vereadores solicitando que a Assembleia Legislativa de Santa Catarina revogue o título de Cidadão Catarinense, para o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, provocou o debate entre os vereadores do PT, PSDB e PR por mais de duas horas durante a sessão Ordinária desta terça-feira, 3.  As manifestações passaram pelo merecimento do título, o respeito às instituições, democracia e chegaram aos pontos que são debatidos arduamente em Plenário ao longo das sessões.

As manifestações começaram no debate para o envio da Moção – que já havia sido protocolada e divulgada na semana em que Lula passou pela região, adentraram Pequeno Expediente e se prolongaram no Grande Expediente. 

O primeiro a manifestar-se sobre o assunto foi o vereador Fabiano Caitano (PSDB). Para ele, há 10 anos quando a ALESC concedeu a honraria a Lula, ele até poderia ser merecedor. No entanto, ao longo deste período acabou por perder-se dos critérios estabelecidos para receber a honraria, como virtudes éticas e idoneidade moral. “Ele é um condenado em segunda instância a 12 anos de prisão”, destacou ao afirmar que uma “condenação feita por três desembargadores não pode mais ser considerada como golpe”.

Claiton Casagrande (PR) ressaltou parte do jingle da caravana de Lula que fala “os cães ainda ladram, mas a caravana passa”, em que entende que o “tom é para semear a discórdia entre a população, porque teria outra conotação se fosse paz e amor. Foi uma provocação dentro do atual cenário, o que acabou por acirrar as opiniões da população”.

Anderson Guzzatto (PR) afirmou de forma categórica que não concorda com o título de Cidadão Catarinense, que, em 2008 apenas o deputado estadual Kennedy Nunes votou contrário ao projeto. “Não se leva em conta apenas a questão do Habeas Corpus que será votado amanhã. Mas as citações feitas por ele em discursos, como o caso de agricultores caloteiros, sem pedir desculpas, acabaram por manchar a imagem e mostram que ele não é digno de receber honrarias. Para mim ele precisa estar na prisão”, pontuou.

Valcir Zanella (PSDB) disse que “não é golpe” a atual situação. Para ele, foi bastante ofensivo chamar os agricultores de “caloteiros”. Zanella destacou que não importa qual o partido, mas todos os envolvidos com corrupção precisam ser julgados e se confirmados os crimes, ir para a prisão. “Alguns se comportam como se fossem deuses aqui na terra”, lamentou ao se posicionar também favorável ao envio da moção.

Evandro Pegoraro (PT) fez a defesa do ex-presidente Lula, citando programas sociais implantados como o Prouni, UPAS, Minha Casa Minha Vida, geração de mais de 15 milhões de empregos além de tirar outros milhões da linha da pobreza. “Nós defendemos um governo democrático e participativo, mas também pontuamos que todos devem ser investigados e punidos, como é o caso do senador Aécio Neves”, discursou ao dizer que “o povo já viveu bem melhor” ao citar o valor do preço do combustível e ao justificar o voto contrário da bancada do Partido, composta ainda pelos vereadores André Rizelo e Margarete Poletto Dalla Costa.

Artêmio Ortigara (PR) disse que a situação não ficou caótica no Brasil quando o presidente Michel Temer (MDB) assumiu o governo, mas o reflexo de um desgoverno. “O atual governo não condições de fazer a gestão fiscal. Se reconheceu nele, em determinado momento, um cidadão de bem, que ao longo do tempo mostrou não ser”, lamentou ao dizer que incitar a violência é causar divisão na população.

“Não quero só falar do Stédille. Mas também da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, que afirmou que se preciso fosse que se faça derramamento de sangue em defesa de Lula. De um condenado, de um ficha suja, que não merece o respeito e a consideração das pessoas de bem que trabalham e que defendem a ética, a moral e os bons costumes. É em nome destas pessoas que falo”, afirmou Ortigara.

André Rizelo (PT) reforçou o posicionamento contrário da bancada e disse que são favoráveis ao julgamento de todos os envolvidos com a corrupção. “Mas sabemos que não é bem assim, aconteceu com o Aécio, com o Temer que precisou comprar deputados com malas de dinheiro para não perder o cargo. Acho que o Supremo Tribunal Federal deveria ter o mesmo posicionamento para todos. Por que se julgar e condenar o Lula vai acabar a corrupção”, questionou ao lamentar a demora de 10 anos para que a Alesc entregasse o título ao ex-presidente.

Rizelo disse que entendeu de forma diferente a fala relacionada aos empréstimos aos agricultores. “O governo ofereceu crédito com 2% de juro ao ano, com prazo de carência estendido e também para pagar. Entendo que nos 2000 a situação dos agricultores era pior do que é hoje, porque ao andar pelo interior podemos ver algumas evoluções, como a compra de climatizadores, casas em melhores condições e carros”, justificou ao dizer que este tipo de crédito era um dos exemplos “dos tantos programas que Lula fez”.

Edno Gonçalves (PDT), que não assinou a moção e se absteve da votação, disse que se fosse debater a corrupção o assunto estaria presente diariamente. “Pra muitos discutir Lula aqui pode ser importante, mas as pessoas querem saber dos nossos assuntos. A política velha precisa acabar, por isso foram trocadas 9 cadeiras e um novo governo foi eleito. Para discutir esta homenagem, sugiro que se aprovasse um requerimento para que os deputados Saretta e Sopelsa – que aprovaram este título – dessem explicações sobre isso”, destacou.
 
“Bandidotrolatria”

Quando parecia que o assunto estava encerrando, se retomou a discussão no Pequeno Expediente. Claiton Casagrande (PR) lamentou a existência do foro privilegiado que acaba por beneficiar muitas pessoas. “Acaba por criar uma espécie de “bandidotrolatria”, opinou o vereador ao dizer-se indignado com o discurso de Lula em Chapecó, “houve tantos recursos que a população deveria beijar os seus pés”.  

Casagrande pediu também para alguém responder “quem são os cães que ainda ladram enquanto a caravana passa”, referindo-se ao jingle que embalou a caravana do ex-presidente.

“Suspeição das instituições”

O presidente da Câmara, Artêmio Ortigara (PR) citou parte do discurso da ministra e presidente do STF, Carmem Lúcia, em que ela fala “que  vivemos tempos de intolerância e de intransigência contra pessoas e instituições. Por isso mesmo, este é um tempo em que se há de pedir serenidade. Serenidade para que as diferenças ideológicas não sejam fonte de desordem social”.

Ortigara disse que o julgamento do habeas corpus desta quarta-feira abre uma jurisprudência para a presunção da inocência. “Se for assim não poderemos condenar ninguém nunca”, acrescentou ao dizer que a decisão poderá liberar presos dos mais diversos crimes, acabando com a referência e o crédito da Justiça Brasileira. Ele também citou o ato desta terça-feira, 3, às 17h30, na esquina da Rua Coberta, um ato pelo fim da corrupção.

“Aprimorar a democracia”
Evandro Pegoraro (PT) disse que este é um momento para se construir a democracia e aprimorá-la e “não jogá-la no lixo”. Ele insistiu em cobrar das para abrir a UPA, os Cmeis do Frei Lency e do Petrópolis e disse também esperar estas respostas do governo municipal, ao referir-se ao questionamento do vereador Casagrande.
 
“País ingovernável”
Anderson Guzzatto (PR) disse que independentemente de quem venha a vencer a eleição, seja Lula ou Bolsonaro, por exemplo terá dias difíceis, porque o Brasil está dividido aos extremos. Reforçou que não se respeita mais as principais autoridades da “Nação” e por consequência, as instituições.

Para ele, nenhum tipo de violência, de nenhum lado deve ser admitido. Guzzatto também lamentou o forro privilegiado, já que muitos deputados só continuam no poder e com privilégios porque a população volta a elegê-los.

“Respostas às perguntas”
Fabiano Caitano (PSDB) destacou que a pergunta de Casagrande ficou sem resposta e disse a Pegoraro que a administração já apontou que a UPA é inviável. “Por que ela ficou 15 meses pronta e não abriram? Por que nomearam um administrador? Além de não inaugurar, o governo Girardi fez pior, pagou um administrador”, afirmou.
Caitano disse que a coletiva da bancada do PT na semana passada teve por objetivo desviar o foco do discurso do deputado Neodi Saretta, em Chapecó, no ato de Lula, defendendo a instalação da Universidade Federal da Fronteira SUL (UFFS). A promessa estava inclusive em um material de campanha da candidata Dilma Rosseff (PT).
“Por que a UFFS não veio para Concórdia? Por que a UPA não abriu? Por que não conseguiram as marginais da BR 153 em 16 anos”? questionou ao lembrar que as duas gestões eram do governo petista, tanto a municipal como a federal.
 
“Defesa dos governos”
Pegoraro voltou a tribuna para defender a gestão do Partido dos Trabalhadores, citando avanços em nível de município, com índices de qualidade de vida, com investimento de mais de R$ 18 milhões em obras, no Instituto Federal Catarinense (IFC). Conforme ele, também foram gerados 16 mil empregos nos governos do PT em Concórdia, o que melhora a qualidade de vida.

Sobre a UFFS, Pegoraro disse que “não é mais um governo democrático e popular que está no poder. Não é um “oficiozinho” que não vai dizer que Concórdia não vai ter a Universidade. Agora o governo é outro”, afirmou ao comentar sobre a resposta do Ministério da Educação que não há previsão para instalar a Universidade em Concórdia.
 Pegoraro disse que “estava sendo viabilizada a abertura por meio de edital” – publicado em dezembro de 2016 e cancelado pela Comissão de Licitação. Disse que a abertura da UPA é decisão política, porque recursos têm em caixa. Para Pegoraro, a reponsabilidade é do atual governo.

Mais uma vez, falou que a administração não deu continuidade ao Concórdia 2030. “Um governo precisa planejar com a sociedade, para 20, 30 anos”, destacou ao pedir ações e obras.
 
“Relatório ainda não voltou para vereador”
Casagrande lamentou ainda que o relatório que apontou a inviabilidade da UPA não foi anexado no edital de licitação para terceirizar a unidade, o que acabou por cancelar o edital. Disse ainda, lamentar que o relatório que foi “vazado” de dentro da Câmara, ainda não voltou para as suas mãos.

“Oficiozinho merece respeito”
Caitano disse para Pegoraro que ainda em 2012 era a promessa da UFFS em Concórdia, com governo federal do PT. Além disso, o ofício do Ministério da Educação, merece respeito conforme o vereador, por ser um documento oficial “Se desde 2012 se tinha essa vontade, por que não aconteceu. Agora estamos no governo do vice da ex-presidente Dilma. Foi promessa de campanha e não se tem resposta. As ações no IFC precisam ser enaltecidas, mas UFFS foi promessa de campanha, prova é o documento sem número e sem registro”.

Para ele, a UPA foi promessa de construir e viabilizar a UPA, do governo Girardi e Santhier. “Vou trazer a opinião do Ministério Público Federal sobre o edital lançado em dezembro de 2016”, prometeu Caitano.

“Estátua para o melhor prefeito”
“Se fosse possível mereceria uma estátua em Concórdia”, disse o vereador André Rizelo (PT) ao se referir ao ex-prefeito Neodi Saretta, que segundo o vereador é o mais propositivo do Estado e “saiu de um governo com 30 milhões de divida para 30 milhões em caixa”.
Disse que não é o único vereador a ser questionado por obras, remédios e vagas em Cmeis. Ele ironizou os investimentos feitos em Cultura – Páscoa e Natal – e disse que se faz “velha política”. Sobre a UPA, disse que o “antigo administrador deve ter ajudado na elaboração do edital publicado”. Disse ainda que o atual planejamento da gestão é “uma folha”.
 
“Quem elegeu Dilma elegeu Temer”
Anderson Guzzatto (PR) comentou sobre o “governo popular e democrático”, que segundo Pegoraro “não se tem mais”.  Para o vereador, eles estão ferindo a democracia quando negam o atual governo federal, porque presidente e vice – Dilma e Temer- foram eleitos para a maior de votos. “Como vamos dizer que não é democrático olhando está foto?”, afirmou ao mostrar uma foto em que Dilma, Temer e Lula estão juntos.

“Sem reconhecimento”
O vereador Valcir Zanella (PSDB) lamentou as cobranças e a falta de reconhecimento em ações que vem sendo desenvolvidas pelo atual governo, como no interior, com a abertura de estradas do interior. Lamentou que foi “malandragem” entregar as máquinas em um estado que não era o que se apresentava na prática. Ressaltou ainda a ação das pavimentações rurais que serão iniciadas em breve.
 
 
 
Protocolos desta Publicação:Criado em: 03/04/2018 - 17:04:27 por: Divaleia Salete Casagrande - Alterado em: 03/04/2018 - 17:04:27 por: Divaleia Salete Casagrande

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